terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Variegado

A paixão que veio com a brisa morna do verão
e subiu junto com a maré da tarde
foi embora na ressaca de um abraço.

Não é o mesmo gosto de bala que fica na boca,
não é o mesmo perfume que cola na blusa
nem são as mesmas roupas que cobrem o corpo.

Mas quanto ao sentimento...
Ah, ele também não é o mesmo.

As cores de nossos beijos
dos gostos
dos cheiros
das carícias
não são as de antes.

Toda a sinestesia da nossa eternidade
mudou.
Nossa eternidade cabe em um segundo
furta-cor.

Ou monocromático.

Agora,
numa hipótese pessimista,
resta a amizade e o carinho de anos
em que tudo o que não foi dito
foi finalmente tirado do cofrinho do peito.

E tudo foi dito.
E finalmente tudo mudou.

Nossa eternidade agora resiste
e existe
naquele porta-retratos com uma foto
colorida e outra em preto-e-branco.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Vai a vida passado
e pode-se vê-la dentro da água
E dentro do lago
Dentro do leite
Em cima do leito
Entre o lenço
e o peito
Dentro do prédio
Embaixo da pedra
Dento da perda
No meio da praça
Dentro grito
Na lenda e no mito
Na porta de casa
No ouro e na prata

E dentro do prato
só tem vazio.