A paixão que veio com a brisa morna do verão
e subiu junto com a maré da tarde
foi embora na ressaca de um abraço.
Não é o mesmo gosto de bala que fica na boca,
não é o mesmo perfume que cola na blusa
nem são as mesmas roupas que cobrem o corpo.
Mas quanto ao sentimento...
Ah, ele também não é o mesmo.
As cores de nossos beijos
dos gostos
dos cheiros
das carícias
não são as de antes.
Toda a sinestesia da nossa eternidade
mudou.
Nossa eternidade cabe em um segundo
furta-cor.
Ou monocromático.
Agora,
numa hipótese pessimista,
resta a amizade e o carinho de anos
em que tudo o que não foi dito
foi finalmente tirado do cofrinho do peito.
E tudo foi dito.
E finalmente tudo mudou.
Nossa eternidade agora resiste
e existe
naquele porta-retratos com uma foto
colorida e outra em preto-e-branco.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
sábado, 2 de fevereiro de 2008
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