Como um alcoólatra
que pela última vez se embriaga
Ou como o trago final
de um fumante
Largarei o vício da palavra.
Dela sou amante
Mas ela não mais me quer.
Sou a outra mulher
Que decora as linhas com rima fresca
e encharca os versos de perfume.
A palavra me consome
E depois some.
Sou a fêmea pitoresca que do poema
nunca é dona
Só musa.
E se a palavra me usa
O que mais posso fazer?
Chorarei este último verso
Até cair sozinha no sono
e todas as letras perderem sentido.
Palavra não é virtude.
É vício.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Versalhada
E esse sentimento
me atraversa a garganta
ressecada...
De voz não tenho mais nada
e minha boca já não canta:
chora.
Quero ouvir de novo
a gargalhada
e ver o rolar da bola
e o raiar do dia,
quero paz,
quero agonia,
quero tudo
e quero agora.
Mas meu canto é mudo,
meu pesar é vasto
e meu sentir casto
se prostituiu.
Quero mudar o mundo,
encobrir a vala,
corrigir o erro,
e esquentar o frio.
Quero tudo
muito e agora,
antes que tudo mude,
antes que novamente
eu falhe,
antes que eu fale demais
e mais alguém se cale -
não darei um pio.
Eu calarei minha boca
antes que essa
versalhada louca
me endoideça de vez.
me atraversa a garganta
ressecada...
De voz não tenho mais nada
e minha boca já não canta:
chora.
Quero ouvir de novo
a gargalhada
e ver o rolar da bola
e o raiar do dia,
quero paz,
quero agonia,
quero tudo
e quero agora.
Mas meu canto é mudo,
meu pesar é vasto
e meu sentir casto
se prostituiu.
Quero mudar o mundo,
encobrir a vala,
corrigir o erro,
e esquentar o frio.
Quero tudo
muito e agora,
antes que tudo mude,
antes que novamente
eu falhe,
antes que eu fale demais
e mais alguém se cale -
não darei um pio.
Eu calarei minha boca
antes que essa
versalhada louca
me endoideça de vez.
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Papier mâché
Tirei de mim
minha própria vida.
E não tinha gosto
de partida doce
ou de bebida amarga
o que levei de mim.
Tirei de mim minha dignidade,
meu esforço, meu desejo,
e fui pau-la-ti-na-men-te
deixando em minha cama
lençóis vazios.
O que levei embora
tinha gosto de cola e papel.
Meu medo,
ficando assim, descoberto,
sentiu-se só e teve frio.
Tanto, tanto, tanto...
que perdi a cabeça
e minha mente ficou aí,
vagando pelo espaço sideral
cheia de idéias alienígenas.
Tirei de mim mesma
minha vida.
E não senti o gosto
da bebida doce
nem da partida amarga.
O que levei tinha gosto
de carnaval em Veneza.
Junto com essa cidade
estou afundando.
Tanto, tanto, tanto...
que perdi a cabeça
e cometi um homicídio:
matei minha esperança.
Tirei de mim
minha própria vida.
Tirei com gosto;
já estava na hora.
A sobra de tanto papel machê
dará uma bela máscara
de colombina.
Nem doce, nem amarga.
Sorridente.
minha própria vida.
E não tinha gosto
de partida doce
ou de bebida amarga
o que levei de mim.
Tirei de mim minha dignidade,
meu esforço, meu desejo,
e fui pau-la-ti-na-men-te
deixando em minha cama
lençóis vazios.
O que levei embora
tinha gosto de cola e papel.
Meu medo,
ficando assim, descoberto,
sentiu-se só e teve frio.
Tanto, tanto, tanto...
que perdi a cabeça
e minha mente ficou aí,
vagando pelo espaço sideral
cheia de idéias alienígenas.
Tirei de mim mesma
minha vida.
E não senti o gosto
da bebida doce
nem da partida amarga.
O que levei tinha gosto
de carnaval em Veneza.
Junto com essa cidade
estou afundando.
Tanto, tanto, tanto...
que perdi a cabeça
e cometi um homicídio:
matei minha esperança.
Tirei de mim
minha própria vida.
Tirei com gosto;
já estava na hora.
A sobra de tanto papel machê
dará uma bela máscara
de colombina.
Nem doce, nem amarga.
Sorridente.
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