Houve uma falha
e agora ninguém quer assumir
a culpa.
Ninguém escuta.
Ninguém fala.
Só se ouve o rio,
O barco
que quer ir para longe,
Ouve-se o fio
de água que desliza
na voz das marés.
E as águas passam
Caladas como monges
na preamar do
silêncio.
Não foi falha,
Foi sabotagem.
O tempo passou
e não se viu.
Deixou-se vazar
o carinho,
Da carícia
restou o casco
vazio.
E as mágoas
de sizígia desse
a-mar
exigem muito.
É um esforço inútil
ir de encontro à
correnteza.
Pôr os pés no cascalho
agora é um desejo fútil.
É a água-viva
no mar morto
que nada
nada
nada
nada...
E depois de muita água
esse quase-poema
desemboca
aqui
.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Cosendo
Não queremos ser apenas nomes
para olhos que só vêem botões.
Para quê botão?
Para quê fechar?
Para quê desfecho em algo que mal começou?
É começo
de continuação...
Botão, só o das flores
e das canções e das rimas
É Marina
É Pedro
É o velejador
E não há dor onde se é pedra
E não é perda de tempo
Há muito tempo (!)
Ainda
Para começar
E continuar
E até prosseguir
Para revereinventar
aqueles velhos dois dedinhos de prosa
ou poesia
Que existem desde que o mundo é mundo,
Desde que chamar-se Raimundo virou solução.
para olhos que só vêem botões.
Para quê botão?
Para quê fechar?
Para quê desfecho em algo que mal começou?
É começo
de continuação...
Botão, só o das flores
e das canções e das rimas
É Marina
É Pedro
É o velejador
E não há dor onde se é pedra
E não é perda de tempo
Há muito tempo (!)
Ainda
Para começar
E continuar
E até prosseguir
Para revereinventar
aqueles velhos dois dedinhos de prosa
ou poesia
Que existem desde que o mundo é mundo,
Desde que chamar-se Raimundo virou solução.
S-o-b-r-e-t-u-d-o
Há a sensação do porvir,
O sabor do não-virá...
E sente-se o vento que vem,
Ouve-se a onda que vai,
Vê-se o céu descorar,
Espera-se o tempo ruir.
E fica ruim.
Nessa, vai-se levando:
A mente dói,
O dedo dói,
e dói o subconsciente,
e pesa (muito) a consciência,
e perdura a dormência
(os olhos também pesam),
e sobra a deficiênciade horas,
de minutos,
de flashes
de lembranças -
Que apenas talvez tenham existido.
Há, sobretudo,
(e agora, José/Maria/Samuel?)
A dúvida.
Sobre tudo.
E agora?
O sabor do não-virá...
E sente-se o vento que vem,
Ouve-se a onda que vai,
Vê-se o céu descorar,
Espera-se o tempo ruir.
E fica ruim.
Nessa, vai-se levando:
A mente dói,
O dedo dói,
e dói o subconsciente,
e pesa (muito) a consciência,
e perdura a dormência
(os olhos também pesam),
e sobra a deficiênciade horas,
de minutos,
de flashes
de lembranças -
Que apenas talvez tenham existido.
Há, sobretudo,
(e agora, José/Maria/Samuel?)
A dúvida.
Sobre tudo.
E agora?
À procura de Morfeu
E, ao escurecer,
Quando tiro meus sapatos surrados,
Quando apago a lâmpada incandescente que paira sobre minha cabeça,
Quando penso nas dores doídas e nos amores amados,
É aí que sobra a agoniadas palavras que eu não disse,
das coisas que eu não fiz.
E lá na linha que não existe
(mas onde o Sol se refugia)
É lá que encontro as conclusões mais precisas sobre tudo,
É lá que descubro a hebetude das experiências,
É lá que vejo que só resta a rotina fungível
de todas as coisas que eu disse
de todas as palavras que eu fiz.
Quando tiro meus sapatos surrados,
Quando apago a lâmpada incandescente que paira sobre minha cabeça,
Quando penso nas dores doídas e nos amores amados,
É aí que sobra a agoniadas palavras que eu não disse,
das coisas que eu não fiz.
E lá na linha que não existe
(mas onde o Sol se refugia)
É lá que encontro as conclusões mais precisas sobre tudo,
É lá que descubro a hebetude das experiências,
É lá que vejo que só resta a rotina fungível
de todas as coisas que eu disse
de todas as palavras que eu fiz.
Conclusão
Tantos foram os quilos de dissabores que eu ganhei
E tantos foram os filhos de maus amores que conheci
Que a conta perdi e os números já nem sei
De quantas vezes amei e quantas vezes vivi.
E tantos foram os filhos de maus amores que conheci
Que a conta perdi e os números já nem sei
De quantas vezes amei e quantas vezes vivi.
Novo verbo
Eu sou pintora de lápis e papel na mão.
E eu pinto as cores do mundo
Pinto os acordes da voz
E pinto o sono profundo
E pinto os dias sem sóis
Eu pinto.
E eu sou poeta de tela e pincel na mão.
Escrevo quadros impressos
Escrevo os versos dos leigos
Escrevo olhares perplexos
Escrevo as mãos entre os beijos
Eu poeto.
E eu pinto as cores do mundo
Pinto os acordes da voz
E pinto o sono profundo
E pinto os dias sem sóis
Eu pinto.
E eu sou poeta de tela e pincel na mão.
Escrevo quadros impressos
Escrevo os versos dos leigos
Escrevo olhares perplexos
Escrevo as mãos entre os beijos
Eu poeto.
Poemeto sem graça sobre o medo
Eu tenho medo da vida
e de suas surpresas
e do tempo que me prende
e da rotina que me faz presa,
eu tenho medo.
E dessas putas
e desses bares
e desses lares
e desses ares
bucólicos, melancólicos, coléricos
e como eu, histéricos(!)
eu também tenho medo...
E me petrifica a morte,
o atravessar o mundo
feito ferida aberta
por esse dedo anelar
a me apontar o peito:o meu.
Mas medo, medo mesmo
pavor eu tenho é de gozar
sem nunca ter tido o amor
do amor maior/maior amor
que há – o seu.
(Ah! Disso eu morro de medo!)
e de suas surpresas
e do tempo que me prende
e da rotina que me faz presa,
eu tenho medo.
E dessas putas
e desses bares
e desses lares
e desses ares
bucólicos, melancólicos, coléricos
e como eu, histéricos(!)
eu também tenho medo...
E me petrifica a morte,
o atravessar o mundo
feito ferida aberta
por esse dedo anelar
a me apontar o peito:o meu.
Mas medo, medo mesmo
pavor eu tenho é de gozar
sem nunca ter tido o amor
do amor maior/maior amor
que há – o seu.
(Ah! Disso eu morro de medo!)
Céu
E foi:
Como fogo de palha,
Como a voz que me falha,
Como brisa que sopra,
Como a noite que cai.
E se foi:
Como o Sol que se põe,
Como um ser que se expõe,
Como vento que grita,
Como alguém que se vai.
E perdeu:
Perdeu tudo que tinha,
Voltou tudo que vinha,
E ainda não se contenta;
Perdeu tudo em vão.
E se perdeu:
se perdeu, foi achado,
Foi deixado de lado,
Como sopro que veio
[E se foi]
Chão.
Como fogo de palha,
Como a voz que me falha,
Como brisa que sopra,
Como a noite que cai.
E se foi:
Como o Sol que se põe,
Como um ser que se expõe,
Como vento que grita,
Como alguém que se vai.
E perdeu:
Perdeu tudo que tinha,
Voltou tudo que vinha,
E ainda não se contenta;
Perdeu tudo em vão.
E se perdeu:
se perdeu, foi achado,
Foi deixado de lado,
Como sopro que veio
[E se foi]
Chão.
Subentendido II
Diga-me que dói
e que lágrimas se escondem
e que você sente (já sei)
o ardor das mágoas que escorrem.
Eu te quero tanto
que quero que você me diga
que sofre porque ama –
e ama a mim – e que me peça
para acalentar seu sofrer
e estancar as gotas d’água
que eclodem.
Mas não sou boa com figuras de linguagem, amor
e tudo permanece nessa
metonímia.
e que lágrimas se escondem
e que você sente (já sei)
o ardor das mágoas que escorrem.
Eu te quero tanto
que quero que você me diga
que sofre porque ama –
e ama a mim – e que me peça
para acalentar seu sofrer
e estancar as gotas d’água
que eclodem.
Mas não sou boa com figuras de linguagem, amor
e tudo permanece nessa
metonímia.
Subentendido I
Fale-me que sente
que ama que sofre
e que quer e quer e quer
me querer sempre.
Pois eu te quero muito
constantemente...sofro
intensamente...amo
e temo e temo e temo
perde-lo
para o sopro
de todos os sentimentos que ficaram
subentendidos.
que ama que sofre
e que quer e quer e quer
me querer sempre.
Pois eu te quero muito
constantemente...sofro
intensamente...amo
e temo e temo e temo
perde-lo
para o sopro
de todos os sentimentos que ficaram
subentendidos.
Ai
Amor,
como dói ser gota de lágrima em dia de chuva!
Ainda bem que estou sendo lavada e levada vida abaixo...
Estou desapa-re-c e n...
como dói ser gota de lágrima em dia de chuva!
Ainda bem que estou sendo lavada e levada vida abaixo...
Estou desapa-re-c e n...
Gangorra
Bem,
estou cansada
de tentar equilibrar essa gangorra,
pois meu peso não leva a nada
e em minhas mãos só resta a borra
da maquiagem que escorre de meus olhos chorosos.
Nesses vaivéns vertiginosos
eu vôo até uma altura espantosa,
tão alto que me torno capaz de provar as nuvens
de um céu de poesia e prosa
e encher de hífens os pensamentos que ponho nesse papel.
Não chame de infiel
aquilo que escrevo ou sinto;
não há espaço para amor
numa simples estrofe ou num verso sucinto
que vive nesse brinquedo de criança a balançar como o vento.
Ainda insisto que não há tempo
para voltar – eu digo,
a perder – você pensa...
Não há espaço para esse amor mendigo
que preciso tanto insistir que não me abandone.
E não se engane!
Sei que estou certa
ao usar as mais doces palavras
para revelar-lhe que não importa
o tanto de rimas e lágrimas que em qualquer momento omiti.
Não menti
ao dizer que nossa gangorra sofre os efeitos
do peso de todos os meus risos
e todos os meus defeitos,
e que, mesmo assim, continuo a subir rumo à lua.
Só você me fez nua
da sombra que me cobre o dia,
fez brotar de meus lábios histórias
e de minhas mãos poesia,
fez-me mais leve que a mais leve pluma da mais bela ave.
Só não pensei ser tão grave
virar floco de algodão
e aproximar-me do céu.
Por mais que diga que não,
Você acabou me tornando (com sua ternura sem métrica) intocável
para todo o sempre.
Por isso, bem, até hoje choro tentando inutilmente por os pés no chão.
estou cansada
de tentar equilibrar essa gangorra,
pois meu peso não leva a nada
e em minhas mãos só resta a borra
da maquiagem que escorre de meus olhos chorosos.
Nesses vaivéns vertiginosos
eu vôo até uma altura espantosa,
tão alto que me torno capaz de provar as nuvens
de um céu de poesia e prosa
e encher de hífens os pensamentos que ponho nesse papel.
Não chame de infiel
aquilo que escrevo ou sinto;
não há espaço para amor
numa simples estrofe ou num verso sucinto
que vive nesse brinquedo de criança a balançar como o vento.
Ainda insisto que não há tempo
para voltar – eu digo,
a perder – você pensa...
Não há espaço para esse amor mendigo
que preciso tanto insistir que não me abandone.
E não se engane!
Sei que estou certa
ao usar as mais doces palavras
para revelar-lhe que não importa
o tanto de rimas e lágrimas que em qualquer momento omiti.
Não menti
ao dizer que nossa gangorra sofre os efeitos
do peso de todos os meus risos
e todos os meus defeitos,
e que, mesmo assim, continuo a subir rumo à lua.
Só você me fez nua
da sombra que me cobre o dia,
fez brotar de meus lábios histórias
e de minhas mãos poesia,
fez-me mais leve que a mais leve pluma da mais bela ave.
Só não pensei ser tão grave
virar floco de algodão
e aproximar-me do céu.
Por mais que diga que não,
Você acabou me tornando (com sua ternura sem métrica) intocável
para todo o sempre.
Por isso, bem, até hoje choro tentando inutilmente por os pés no chão.
O que ainda falta (ou ainda resta)
Não importa
Se o cabelo desgrenha-se
Ou se a respiração pesa.
Ainda respiro.
Não importa
Se os fatos travestem-se
Ou se deixaram de ser.
Ainda entendo.
Não importa
Se pensamentos embrenham-se
Ou se a visão se distorce.
Ainda vejo.
Não importa
Se os sabores disfarçam-se
Ou se o amargo domina.
Ainda sinto.
Só sei que ainda respiro,
Embora não entenda o que vejo.
Sei que sinto.
E sinto muito.
Se o cabelo desgrenha-se
Ou se a respiração pesa.
Ainda respiro.
Não importa
Se os fatos travestem-se
Ou se deixaram de ser.
Ainda entendo.
Não importa
Se pensamentos embrenham-se
Ou se a visão se distorce.
Ainda vejo.
Não importa
Se os sabores disfarçam-se
Ou se o amargo domina.
Ainda sinto.
Só sei que ainda respiro,
Embora não entenda o que vejo.
Sei que sinto.
E sinto muito.
Para quem permanece
Quem sofre reinventa todos os se's do mundo;
Cobre-se com lamúrias de futuros-do-pretérito,
Torna mudo o que era falante e calado o que foi histérico,
Quem sofre, ao sofrer transforma tudo.
Quem sofre faísca "talvezes" e justificativas para toda a dor,
Confecciona mil desculpas para dois mil convites.
Amor...
Amor!
Amor?
De onde surgem essas excusas?
Do nanquim e do grafite?
E quanto à austeridade que sofredores alegam ter entendimento,
Não a vejo - só enxergo ternura em meio ao breu;
Delicada teia urdida ao redor de um sentimento
[que os predispõe a desejar o bem de outrem
E infeliz-felizmente faz bem a alguém
[como eu.
Cobre-se com lamúrias de futuros-do-pretérito,
Torna mudo o que era falante e calado o que foi histérico,
Quem sofre, ao sofrer transforma tudo.
Quem sofre faísca "talvezes" e justificativas para toda a dor,
Confecciona mil desculpas para dois mil convites.
Amor...
Amor!
Amor?
De onde surgem essas excusas?
Do nanquim e do grafite?
E quanto à austeridade que sofredores alegam ter entendimento,
Não a vejo - só enxergo ternura em meio ao breu;
Delicada teia urdida ao redor de um sentimento
[que os predispõe a desejar o bem de outrem
E infeliz-felizmente faz bem a alguém
[como eu.
Inominável
Ao fundo dos meus mais profundos sonhos
em casas e camas e corpos e cores
em noites e tardes e dias risonhos
O que importa?
Que dores são essas que doem esses sonhos?...
Que bem que me faz se mal me consome
se queima aos poucos ou rouba aos molhos?
Pois pende
em casas e camas e corpos e cores
em noites e tardes e dias risonhos
O que importa?
nada importa...
[tantas dores!]
Que dores são essas que doem esses sonhos?...
Que bem que me faz se mal me consome
se queima aos poucos ou rouba aos molhos?
Pois pende
em meu lado
o peso da fome
que seca meus lábios e molha meus olhos.
Que medos são esses que sondam meus sonhos?
E quando o sono, rastejante, bate à porta
no mesmo instante puro e insano bate a pressa.
O frio, a sede
Que medos são esses que sondam meus sonhos?
E quando o sono, rastejante, bate à porta
no mesmo instante puro e insano bate a pressa.
O frio, a sede
o ar [meu rio!]
nada importa!
Nem céu nem chão nem mar, meu riso é que interessa.
Que sonhos são esses a que me disponho?
Que sonhos são esses a que me disponho?
Dicionário
Seus soturnos olhos
só refletem que sua boca pensa.
E pensa em mim...
Balbucia palavras doces
escondidas dentre um Aurélio de vocábulos que desconheço...
mas sei falarem de mim.
Flamante dor-desejo-sonho
impróprio-improrrogável-improvável
que você deixou ir embora, mesmo estando tão perto.
Pretérito imperfeito resguardado e corroído,
Misto de deslumbre e medo ressentido,
que poderia ter sido o mundo, mas foi só deserto.
só refletem que sua boca pensa.
E pensa em mim...
Balbucia palavras doces
escondidas dentre um Aurélio de vocábulos que desconheço...
mas sei falarem de mim.
Flamante dor-desejo-sonho
impróprio-improrrogável-improvável
que você deixou ir embora, mesmo estando tão perto.
Pretérito imperfeito resguardado e corroído,
Misto de deslumbre e medo ressentido,
que poderia ter sido o mundo, mas foi só deserto.
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