Junte minhas mãos brancas
às suas mãos negras
e teremos um poema.
Não importa se curto
como uma manhã de inverno
Ou se longo
como uma consulta ao dentista
Ou se complexo
como cálculos trigonométricos
Ou se simples
como o amor de criança.
Junte o branco dos seus olhos
ao negro dos meus
e teremos poesia.
E será triste
nos dias de março
E contente
nas manhãs de sol
E causará preguiça
frente às obrigações
E será impulso
quando indicar prazer.
Meus olhos e suas mãos
vão se enegrecendo
de grafite.
Você escreve.
Eu leio.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Queria sentir o lirismo dos românticos para escrever o amor. Queria sentir a forma parnasiana para escrever as manhãs de domingo. Queria sentir a ferocidade animalesca dos naturalistas para escrever o sexo. Queria sentir a paz de uma criança para escrever um conto-de-fadas com final feliz. Mas sequer encontei a paz de escrever a palavra. Já diria um amigo meu que a palavra é vício e não virtude. Por que diabos então não consigo me desentoxicar? Odeio a palavra. Odeio a palavra e todo amor, toda manhã de domingo, todo sexo e todo conto-de-fadas que não consigo escrever com ela.
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