terça-feira, 2 de setembro de 2008

Papier mâché

Tirei de mim
minha própria vida.
E não tinha gosto
de partida doce
ou de bebida amarga
o que levei de mim.
Tirei de mim minha dignidade,
meu esforço, meu desejo,
e fui pau-la-ti-na-men-te
deixando em minha cama
lençóis vazios.
O que levei embora
tinha gosto de cola e papel.
Meu medo,
ficando assim, descoberto,
sentiu-se só e teve frio.
Tanto, tanto, tanto...
que perdi a cabeça
e minha mente ficou aí,
vagando pelo espaço sideral
cheia de idéias alienígenas.

Tirei de mim mesma
minha vida.
E não senti o gosto
da bebida doce
nem da partida amarga.
O que levei tinha gosto
de carnaval em Veneza.
Junto com essa cidade
estou afundando.
Tanto, tanto, tanto...
que perdi a cabeça
e cometi um homicídio:
matei minha esperança.

Tirei de mim
minha própria vida.
Tirei com gosto;
já estava na hora.
A sobra de tanto papel machê
dará uma bela máscara
de colombina.
Nem doce, nem amarga.
Sorridente.

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