quarta-feira, 17 de setembro de 2008

A última palavra

Como um alcoólatra
que pela última vez se embriaga
Ou como o trago final
de um fumante
Largarei o vício da palavra.

Dela sou amante
Mas ela não mais me quer.
Sou a outra mulher
Que decora as linhas com rima fresca
e encharca os versos de perfume.

A palavra me consome
E depois some.
Sou a fêmea pitoresca que do poema
nunca é dona
Só musa.

E se a palavra me usa
O que mais posso fazer?
Chorarei este último verso
Até cair sozinha no sono
e todas as letras perderem sentido.

Palavra não é virtude.
É vício.

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