quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Versalhada

E esse sentimento
me atraversa a garganta
ressecada...
De voz não tenho mais nada
e minha boca já não canta:
chora.

Quero ouvir de novo
a gargalhada
e ver o rolar da bola
e o raiar do dia,
quero paz,
quero agonia,
quero tudo
e quero agora.

Mas meu canto é mudo,
meu pesar é vasto
e meu sentir casto
se prostituiu.

Quero mudar o mundo,
encobrir a vala,
corrigir o erro,
e esquentar o frio.

Quero tudo
muito e agora,
antes que tudo mude,
antes que novamente
eu falhe,
antes que eu fale demais
e mais alguém se cale -
não darei um pio.

Eu calarei minha boca
antes que essa
versalhada louca
me endoideça de vez.

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