Bem,
estou cansada
de tentar equilibrar essa gangorra,
pois meu peso não leva a nada
e em minhas mãos só resta a borra
da maquiagem que escorre de meus olhos chorosos.
Nesses vaivéns vertiginosos
eu vôo até uma altura espantosa,
tão alto que me torno capaz de provar as nuvens
de um céu de poesia e prosa
e encher de hífens os pensamentos que ponho nesse papel.
Não chame de infiel
aquilo que escrevo ou sinto;
não há espaço para amor
numa simples estrofe ou num verso sucinto
que vive nesse brinquedo de criança a balançar como o vento.
Ainda insisto que não há tempo
para voltar – eu digo,
a perder – você pensa...
Não há espaço para esse amor mendigo
que preciso tanto insistir que não me abandone.
E não se engane!
Sei que estou certa
ao usar as mais doces palavras
para revelar-lhe que não importa
o tanto de rimas e lágrimas que em qualquer momento omiti.
Não menti
ao dizer que nossa gangorra sofre os efeitos
do peso de todos os meus risos
e todos os meus defeitos,
e que, mesmo assim, continuo a subir rumo à lua.
Só você me fez nua
da sombra que me cobre o dia,
fez brotar de meus lábios histórias
e de minhas mãos poesia,
fez-me mais leve que a mais leve pluma da mais bela ave.
Só não pensei ser tão grave
virar floco de algodão
e aproximar-me do céu.
Por mais que diga que não,
Você acabou me tornando (com sua ternura sem métrica) intocável
para todo o sempre.
Por isso, bem, até hoje choro tentando inutilmente por os pés no chão.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
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