quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Quase-poema de (m)água

Houve uma falha
e agora ninguém quer assumir
a culpa.
Ninguém escuta.
Ninguém fala.
Só se ouve o rio,
O barco
que quer ir para longe,
Ouve-se o fio
de água que desliza
na voz das marés.

E as águas passam
Caladas como monges
na preamar do
silêncio.

Não foi falha,
Foi sabotagem.
O tempo passou
e não se viu.
Deixou-se vazar
o carinho,
Da carícia
restou o casco
vazio.

E as mágoas
de sizígia desse
a-mar
exigem muito.

É um esforço inútil
ir de encontro à
correnteza.
Pôr os pés no cascalho
agora é um desejo fútil.
É a água-viva
no mar morto
que nada
nada
nada
nada...

E depois de muita água
esse quase-poema
desemboca
aqui
.

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